Jornal A Rua

Quinta-Feira, 16 de Agosto -

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    Por que a primeira infância é importante?

    Além de ser considerado um dos grandes matemáticos da antiguidade, Pitágoras de Samos (580 a.C. – 497 a.C.) foi um importante filósofo grego. É dele uma frase que eu achei interessante pra gente começar: “Observa o teu culto à família e cumpre teus deveres para com teu pai, tua mãe e todos os teus parentes. Educa as crianças e não precisarás castigar os homens.” Desde a antiguidade, um matemático como Pitágoras já tinha percebido que o desenvolvimento da educação social de uma criança começa na família. Então só para esclarecer um pouquinho, depois dessa explicação inicial, um conceito é importante: a primeira infância. A gente fala tanto da primeira infância, com tanto conhecimento de causa que eu pergunto: o que é a primeira infância? Se existe uma primeira, será que tem uma segunda ou terceira infância?
    A primeira infância é a fase da vida entre zero e seis anos de idade. No censo feito 2000 pelo IBGE, havia cerca de 23 milhões de crianças nessa faixa de idade no Brasil. O papel dessa época da vida no desenvolvimento mental, emocional, de aprendizagem e de socialização dessa criança talvez seja tão ou mais importante que a evolução física e neurológica. Na escala de evolução das espécies, independente de como tenha sido a gestação ou o parto, o humano recém-nascido parece ser sempre prematuro. Mesmo que tenha passado por uma gestação normal, de 38 a 40 semanas, parece que ainda não era a hora certa para ele ter nascido.
    O homem não enxerga bem até perto do terceiro mês de vida, precisa de ajuda para se locomover até o sétimo mês, quando começa a engatinhar, fato que os outros animais já conseguem pouco tempo após o parto. Em média, não sabe se sustentar sozinho em pé antes de um ano de vida, não se comunica em sua linguagem verbal adequada antes dos dois anos, bem como não consegue se alimentar sozinho antes de completar três anos. No primeiro ano de vida, o bebê é quase totalmente dependente dos adultos que o cercam, começando pela alimentação apropriada (com aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida – não me canso de insistir), proteção, cuidados com sua saúde e afeto. Com o seu desenvolvimento, até os seis anos de vida, a criança aprimora suas habilidades de movimentação, conhecimento, comunicação, ganha um pouco mais de independência e iniciativa, começa a ler e a escrever e seu ambiente social se amplia (escola, festinhas, cinemas, entre outros), o que nem sempre é bem recebido pelos pais. Mas o mais bonito nisso tudo é que cada criança tem seu ritmo, suas características individuais, que são dependentes de sua condição de vida, dos cuidados recebidos e de sua organização familiar.