Quarta-Feira, 17 de Outubro -

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    Piteri aposta na Educação como solução para a crise na Segurança Pública

    Antonio Cláudio Flores Piteri, ou Cláudio Piteri, como é conhecido, tem uma vasta experiência na vida pública. Vereador de Osasco por cinco mandatos e vice-presidente da Fundação Casa por nove anos, Piteri foi candidato a prefeito de Osasco em 2016, obtendo votação expressiva e ocupando o terceiro lugar. Agora, ele encara o desafio de ser o único pré-candidato na região pelo PPS a disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Em entrevista ao jornal “a rua”, Piteri fala desse e dos demais desafios que pretende transpor se eleito deputado estadual em outubro desse ano.

     O PPS, ao contrário dos outros partidos, como o PT, que lança 114 nomes, o Podemos, que lança 141 e PSDB com 186, aposta em você como único candidato à Assembleia Legislativa na região e em somente 13 no estado todo. Essa aposta é uma honra ou uma responsabilidade muito grande?

    As duas coisas. O PPS vai fazer parte de uma coligação ampla, com vários partidos, e por conta disso é que houve essa diminuição do número de candidatos do partido. Quando digo que é uma responsabilidade e uma honra, é nesse aspecto, por ter sido reconhecido pelo partido como um dos candidatos que ia continuar participando da eleição.

    Você acha que ser o único candidato ajuda na eleição, ou atrapalha, visto que será o único a levar o nome do partido paras as ruas aqui na região?

    Ajuda, até porque o PPS é um partido limpo, um dos poucos que não está envolvido na Lava Jato, no Mensalão, pode pesquisar que não tem… E a gente tem que levar isso ao conhecimento dos eleitores. O PPS é um partido que tende a sair dessa eleição muito fortalecido porque está agregando dentro dele os movimentos sociais organizados da sociedade, o “Agora”, o “Livres”, o “Muda Brasil”… e eles abrigaram seus candidatos dentro do PPS. A interlocução do PPS com esses segmentos foi ampliada significativamente.

    Você vai dobrar [para federal] com uma pessoa que não é do seu partido, que é a Bruna Furlan. Qual o peso do apoio da família Furlan na sua candidatura?

    Um grande peso… é um apoio muito importante e que me honra muito. Embora a Bruna não seja do meu partido o PPS em nível nacional está coligado com o PSDB, então essa aliança é uma questão natural e o peso da família é significativo. Essa família tem uma folha de serviços prestados na região indiscutível e estar nessa caminhada ao lado da Bruna, com o apoio do [Rubens] Furlan agrega muito.

    Hoje a região tem quatro deputados estaduais, Marcos Martins (PT), de Osasco, Gil Lancaster (DEM), de Barueri, Márcio Camargo (PSC), de Cotia, e João Caramez (PSDB), de Itapevi, que entrou como suplente, mas pela quantidade de eleitores, poderia ter mais. Quantos deputados estaduais acredita que a região pode fazer nesta eleição?

    A região tem potencial para fazer muitos… oito, nove… tem potencial. Acho que é muito importante, e eu tenho me dedicado a isso a gente levar ao conhecimento do eleitor, qual o papel exato do deputado estadual, a interlocução que o deputado estadual tem que fazer com o governo do Estado. O governo do Estado está na nossa vida e as pessoas não percebem. De forma equivocada as pessoas acham que elas só se relacionam com o município, mas nós nos relacionamos com o governo do Estado todos os dias, quando usamos as escolas estaduais, segurança pública, transportes, CPTM, quantas mil pessoas na região usam o trem todos os dias para irem trabalhar?… Sabesp… Temos na região quase 100% de casas com abastecimento de água mas 55% das casas não têm esgoto. Se pegarmos a zona Norte, são 76%. Precisamos cobrar investimentos do governo do Estado na nossa região. Temos três hospitais do Estado aqui – um em Osasco, um em Carapicuíba e um em Itapevi. A região se relaciona muito com o governo do Estado e precisamos mostrar isso para o eleitor. Aqui precisa ter representante para que os investimentos do governo do Estado venham para essa região.

     Candidatos de outras regiões também conquistam votos osasquenses. Você defende o voto distrital?

    Defendo. O fato de a campanha ser muito curta já vai distritalizar o voto. Não dá para sair daqui e ir lá para o interior, ir para outros lugares. O candidato vai ter que priorizar, gastar energia em um reduto. Mas oficialmente, o voto distrital tem que vir acompanhado de outras mudanças, e por isso que defendo, embora seja uma questão federal, que falemos sobre reforma política. Isso é fundamental. Tem muitos partidos, tem a questão do voto distrital, parlamentarismo ou presidencialismo… tem que discutir isso com responsabilidade porque isso impacta na nossa vida e na relação política do Executivo com o Legislativo. Muda a relação de forças de tivermos um quadro mais enxuto. Então sou a favor do voto distrital, mas acompanhado de outras mudanças.

    Você já foi vereador por 5 mandatos e portanto tem bastante experiência sobre as demandas da cidade. O que pretende tirar dessa experiência e levar para a Assembleia, se eleito?

    O governo Estado é muito grande. Além dos 5 mandatos como vereador, fiquei 9 anos na vice-presidência da Fundação Casa e isso me permitiu compreender como se dá a relação de forças dentro do governo do Estado. Este conhecimento da máquina do Estado me favorece. Essa grandeza do governo do Estado muitas vezes faz com que alguém se eleja e demore até três anos para compreender o tamanho e o funcionamento disso tudo. Eu já conheço e já sei onde buscar soluções para muitos problemas que temos aqui na região.

    Como vice-presidente da Fundação Casa por quase uma década, você tem bastante conhecimento sobre o sistema de segurança implantado pelo Estado. Em pesquisa feita em Osasco mas que serve para outros municípios, segurança é o maior problema dos bairros e o segundo maior da cidade, perdendo apenas para a saúde. Se eleito, como pretende ajudar o Estado e a população a enfrentar isso?

    À longo prazo e com paciência. Não tem política de segurança mais eficaz do que a educação. O resto é trabalhar com o resultado final. Para mudar a realidade com responsabilidade e com resultado final, precisa trabalhar na causa. Nenhuma mudança radical como essa se faz do dia para a noite, mas tem que começar. Primeiro, ensino integral nas escolas. Essa vai ser uma das principais bandeiras do meu mandato: tirar a criança da rua, levar para dentro da escola, melhorar a qualidade do ensino. Falam muito em remuneração, em uma séria de coisas para o profissional da educação. Sim, isso tem que começar efetivamente. Sou professor e conheço de perto essas questões. Educação! Radicalmente a favor de trabalhar a educação como pilar. Colocar polícia na rua resolver o momento, para a crise que estamos vivendo. A polícia tem que estar na rua sim, mas com isso não estamos tratando a causa, e sim o efeito. Nenhuma sociedade moderna alcançou resultados do dia para a noite, todas alcançaram com trabalho de longo prazo, mas tiveram coragem de começar. Nós nem começamos ainda… é coisa para 20, 30 anos, tenho consciência disso.

    Mas e imediatamente?

    É trabalhar estrutura da polícia, remuneração, combate ao crime organizado, tráfico de drogas. Tem um dado impressionante: quando comecei na Fundação Casa em 2009, 22% dos adolescentes internos era por conta do tráfico de drogas, hoje são 47% e os outros estão lá por causa das drogas, de forma indireta. Muitos delitos têm relação com o vício do adolescente. Ele rouba para manter o seu vício, então na realidade esse percentual seria maior.

    E especificamente para a Saúde?

    É importante fazermos uma ressalva. A maior dificuldade do atendimento de saúde hoje está diretamente ligada aos municípios. A população sofre nos equipamentos municipais, o que não isenta ninguém: nem o governo Federal nem o do Estado, porque isso é um sistema. O SUS é um Sistema Único de Saúde e muitas vezes as prefeituras estão sofrendo porque pode acontecer de outras esferas de governo estarem falhando nas suas atribuições. Hoje o maior drama é nos municípios, precisamos sentar, conversar com os prefeitos… essa interlocução eu pretendo fazer, me colocar à disposição dos prefeitos da região, não importa o partido, para entendermos onde estão as maiores dificuldades e encaminhar para o governo do Estado o que for de responsabilidade dele e melhorar o atendimento.

    Qual a principal bandeira que carregará na Assembleia?

    Vou trabalhar muito na Educação e no interesse da criança e do adolescente. Seria omissão da minha parte conviver por nove anos nessa situação e não dedicar grande parte do meu mandato a essa questão. Sou um político da região metropolitana, consigo dialogar sobre os problemas da região metropolitana. Também quero trabalhar a questão do investimento no esgoto, cobrando recursos da Sabesp. Não há explicação lógica ou que me convença que a Sabesp possa dar que justifique os 76% de lares sem coleta de esgoto na zona Norte de Osasco. Carapicuíba tem bolsões muito parecidos com a zona Norte… Itapevi, Jandira… Barueri avançou um pouco nisso, mas é muito sério o que acontece nessa região por conta da falta de investimento no saneamento básico.

    O município negligencia essa relação com a Sabesp?

    Essa é uma questão maior. A administração municipal perdeu completamente a condição de identificar quais são as prioridades. Não conseguimos saber hoje aonde a administração de Osasco quer chegar. Isso é grave. A administração precisa ter começo, meio e fim, e essa não começou. É muito sério o que está acontecendo em Osasco, e preocupante. Não consigo entender a lógica dessa administração e isso tem trazido prejuízo muito grande para a cidade.

    Há até pouco tempo o PPS fazia parte do governo Rogério Lins. Hoje, olhando pelo lado de fora, como avalia a gestão do prefeito Lins até o momento?

    Não desprezo o fato de que as condições de que o prefeito recebeu a prefeitura foram precárias e isso precisa ser levado em consideração, mas isso já faz quase dois anos e não dá mais para ficar amaldiçoando administração anterior. Li essa semana que o prefeito [Rogério Lins] criou uma comissão de avaliação de gastos públicos… Isso é pra se criar no primeiro dia de governo. Depois de um ano e oito meses ele se preocupa com isso? Ele tinha que ter criado no primeiro dia para conter os gastos, enxergar onde tem gordura para poder fazer a máquina girar. Entramos no governo. Reconhecendo essas dificuldades pelas quais a prefeitura passava, queríamos ajudar, mas por uma questão política, por imposição… tentaram impor ao PPS um apoio a determinadas candidaturas, nós não aceitamos e achamos melhor sair do governo.

     Você tem pretensão para 2020?

    É muito cedo para falar disso. Tenho pretensão de fazer uma boa campanha, um bom mandato como deputado estadual. Não penso em 2020 agora porque isso prejudicaria a cidade. O debate que precisa ser feito hoje é sobre as questões de 2018. Acho que o prefeito está pensando muito em 2020 e pouco em 2018, com essa estratégia dele em lançar um monte de candidato para ninguém chegar… Ele está pensando no projeto pessoal dele, não na cidade. Ele não está pensando no prejuízo que a cidade pode ter se ficar sem um representante na Assembleia Legislativa. Se eu pensasse em 2020 agora estaria corroborando o raciocínio do prefeito e eu realmente acho que temos que pensar em 2018. Se eu me eleger, a primeira pessoa que vou visitar será o prefeito Rogério Lins e me colocar à disposição.

     O que acha da escolha do partido em apoiar Márcio França e Geraldo Alckmin?

    O PPS foi o primeiro partido que sinalizou apoio do Geraldo, no congresso nacional que foi em março. Acho esse apoio responsável. Vivemos um momento difícil, uma instabilidade política séria e eu pessoalmente identifico no Geraldo o candidato mais preparado para conduzir o país nesse momento de turbulência. Tudo o que o país não precisa agora é de mais uma crise, mais instabilidade, insegurança… E ele tem o perfil conciliador, talhado para conduzir o país neste momento. O PPS é um parceiro tradicional do PSDB. Com relação ao Márcio França, ele era vice-governador e dialogava muito com o PPS. Ele não deixa de ser continuidade do governo do Geraldo no Estado.

     Como avalia os outros candidatos,em especial a postura do PT que defende Lula presidente, mesmo preso?

    A postura do PT é eleitoral, mais do que política. O PT sabe que o Lula não pode ser candidato porque a Lei da ficha limpa veda essa candidatura, mas eleitoralmente a estratégia do Pt é esticar essa discussão o maior tempo possível para poder manter o partido em evidência e lá na frente vão trocar o candidato, não tenho dúvida disso.

    Quero que você fale um pouco do que fez por Osasco quando vereador, para que o eleitor da região saiba o que esperar do Cláudio deputado…

    Tem muita coisa… Fui presidente da câmara e ajudei a aprovar várias propostas interessantes para a cidade. Fui líder o prefeito na Câmara na época em que o Celso era prefeito e isso também diretamente nos permite defender diretamente os interesses da administração e quando fazemos isso estamos ajudando a aprovar leis e parcerias que beneficiam a população. Conviver com o Celso foi um grande aprendizado para mim porque ele trabalhava incansavelmente pela cidade. Como vereador apresentei uma série de projetos de leis e destaco a criação municipal de entorpecentes, por exemplo. A criação da semana municipal da prevenção da gravidez na adolescência, para discutir esse sério problema. A lei que obriga o uso de 20% da arrecadação do IPTU no bairro de origem. A lei que destina 2% dos cargos da prefeitura para deficientes físicos também é de minha autoria… enfim, tem muita coisa. Sempre digo que nos meus mandatos, trabalhei o máximo que se permite a um membro do parlamento. Tenho exata noção da responsabilidade.

    Quer acrescentar algo?

    Acho importante falar mais da passagem pela Fundação Casa. Fiz parte de uma equipe e chegamos num lugar que parecia sem solução. A antiga Febem tinha 85 rebeliões/ano, entregamos com 4 rebeliões/ano. Descentralizamos o atendimento e instalamos 70 unidades no Estado de São Paulo, e esta era a minha principal função na fundação: dialogar com os municípios, convencê-los da importância de ter uma unidade. Lá eu percebi que dá para resolver problemas, por mais graves que eles sejam. Políticas públicas podem trazer bons resultados. O governo do Estado respondia a três processos na Corte Interamericana de Direitos Humanos por conta de abusos existentes na Febem. Isso acabou. Tem que acreditar, persistir. Acredito que políticas públicas tragam bons resultados porque vivi isso na prática.