Domingo, 21 de Janeiro -

  • Modismo alimentar: saiba por que os brasileiros aderem à prática

  • Não é de hoje que os modismos alimentares que recomendam dietas milagrosas e definem alimentos vilões e herois. Mas, nos últimos anos, a popularidade e adesão a essas crenças aumentou. Uma pesquisa inédita realizada com mais 1.500 brasileiros de todas as regiões do país mostrou que uma grande parcela da população está retirando de sua alimentação ingredientes como glúten e lactose, de forma indiscriminada, e buscando resultados “mágicos” em alimentos como batata-doce e óleo de coco, na esperança de alcançar um emagrecimento rápido.

    De acordo com o levantamento, realizado pela área de Inteligência e Pesquisa de Mercado da Editora Abril a pedido da Nestlé, 19% dos entrevistados faz restrição parcial ou total do consumo de glúten, proteína presente em cereais como trigo, centeio e cevada. No entanto, apenas 4% das pessoas que evitam a substância têm doença celíaca, cujo tratamento depende diretamente da retirada do glúten da dieta. Já outros 30% disseram ter cortado o item simplesmente porque querem emagrecer.

    Alimentos com glúten são a principal fonte de carboidrato e, portanto, o que dá energia ao corpo. Em longo prazo, além de ser difícil manter a restrição, a prática pode trazer riscos à saúde.

    Quando o assunto é lactose, 28% das pessoas que responderam à pesquisa disseram que fazem restrição total ou parcial do seu consumo. Entretanto, um total de 79% afirmou que nunca fez um teste de intolerância à lactose. O levantamento mostra também que 26% dos entrevistados resolveram cortar a lactose por conta própria, sem consultar um profissional de saúde, e 8% admitiram que tiraram esse nutriente da sua dieta por vontade de emagrecer.

     

    Rotulagem

    Ainda segundo a pesquisa, os alertas “não contém glúten” e ”sem lactose” nas embalagens e anúncios contribuem para a falsa ideia de que alimentos sem essas substâncias são mais saudáveis. Muitos entrevistados citaram a sinalização como uma das razões pelas quais eles evitam esses componentes nos alimentos, por acreditam que ela significa riscos à saúde.

    É preciso ressaltar que, para pessoas saudáveis e sem problemas de saúde, o consumo de glúten e lactose não causa nenhum dano e, principalmente, parar de consumi-los não propicia a perda de peso. Em relação ao aviso nas embalagens, a medida segue uma normatização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que portadores de doença celíaca e pessoas intolerantes à lactose tenham um consumo mais seguro.

     

    Dietas da moda

    A pesquisa mostra também uma maior adesão a dietas da moda, como a low-carb e a detox, para fins de emagrecimento ou para um estilo de vida mais saudável. Segundo Bianca, a dieta low-carb, que em português pode ser traduzida como ‘pouco carboidrato’, de fato tem um resultado efetivo na perda de peso a curto prazo.

    Por outro lado, como a premissa desse regime é a redução drástica de carboidratos, “ele é muito difícil e perigoso de ser seguido em longo prazo. Além de gordura, pode haver redução de massa muscular”, alerta a nutricionista.

    Já na detox, popularmente conhecida por supostamente realizar uma limpeza no organismo, não há benefício algum. Não existe um alimento ou suco capaz de desintoxicar o organismo.

     

    Batata-doce, óleo de coco e chia: os “salvadores da pátria”

    Enquanto o consumo de alimentos com glúten e lactose foi reduzido, houve um aumento na ingestão de “alimentos da moda”, como batata-doce, presente da dieta de 61% dos entrevistados, óleo de coco (24%) e chia (28%). Eles são popularmente associados ao emagrecimento e à benefícios para a saúde.

    “O óleo de coco ganhou a crença de ser saudável, mas ele é rico em gordura saturada, que está associada à rapidez na absorção do metabolismo, mas também ao aumento do colesterol, se consumido em excesso. Além disso, é uma gordura cara. O ideal, para cozinhar, é variar nos óleos usados”, diz o estudo.

    Já a batata-doce, de fato, tem mais fibra que a batata inglesa e um índice glicêmico menor, é melhor aproveitada pelo organismo. No entanto, a quantidade de energia, calorias é a mesma. Ou seja, se houver um excesso de batata doce na alimentação, a pessoa poderá ganhar peso. O ideal é variar.

    A chia é um cereal caro e pouco conhecido até ser considerada um “superalimento”. Ela de fato tem bastante fibra e gordura boa, mas não é algo gostoso e, o ideal, é incluir todos os cereais na alimentação e não apenas a chia.

    A goji berry, aquela frutinha cor de rosa, desidratada, é outro item que ganhou popularidade. A pequena fruta é rica em vitamina C e em anti-oxidantes. No entanto, também é cara e difícil de encontrar. Uma saída é investir em morango e frutas vermelhas, que têm os mesmos benefícios e são mais acessíveis.