Quarta-Feira, 23 de Maio -

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    Mesmo após condenação, PT oficializa candidatura de Lula

    Um dia depois de o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ter mantido por unanimidade a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT realizou nesta quinta-feira, 25/01, uma reunião da Executiva Nacional do partido para reforçar a candidatura do petista à Presidência da República e lançá-lo oficialmente como pré-candidato às eleições deste ano. Lula foi recebido pela militância com gritos de “Brasil urgente, Lula presidente”.

    A reunião aconteceu na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), no Brás. Os principais quadros do PT participam do encontro, como a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel e o ex-governador da Bahia Jaques Wagner, que tem seus nomes apontados como os mais cotado na legenda para substituir Lula caso ele fique inelegível.

    Presidente do partido, a senadora Gleisi Hoffmann disse que não falaria sobre a condenação, mas afirmou que a reunião era importante em virtude do momento vivido pelo partido. Ela agradeceu o apoio dos partidos PCdoB, Psol, PSB, PDT e o PCO e também ao senador Roberto Requião (PMDB), além de movimentos sociais e sindicatos do Brasil e de outros países. “Desde 2014, não via mobilização tão grande da militância. É possível a consolidação da centro-esquerda para enfrentar retrocesso.”

    Durante o evento, Lula disse que sua pré-candidatura não tem como objetivo protegê-lo. “A minha proteção é a minha inocência. O Dom Pedro criou o Dia do Fico, eu vou criar o Dia do Aceito ser pré-candidato e seu eu ganhar nós vamos governar esse país da forma correta”, disse voltando a afirmar que não cometeu nenhum crime. “Eu quero ver as provas, digam que crime eu realmente cometi, até agora, não mostraram nada”, completou.

    Apesar de declarar que já esperava a condenação por unanimidade, o ex-presidente disse mais uma vez estar tranquilo mesmo após a condenação, que pode tirá-lo da próxima eleição e até mesmo levá-lo à prisão. “Eu sei o que eu fiz, eu tenho coragem de olhar na cara dos meus netos, dos meus filhos e de cada um de vocês”, afirmou. “A única coisa que eu posso oferecer a vocês é a minha inocência”.

     

    Ato na República

    Na quarta-feira, 24/01, logo depois da condenação do TRF-4, Lula participou de um ato na Praça da República, no centro da capital, no qual afirmou que anunciaria a pré-candidatura durante a reunião da executiva nesta quinta. O ex-presidente disse na manifestação que não pensava em ser presidente de novo, mas que decidiu se candidatar por ter se sentido provocado.

    “Eu já nem queria mais fazer política. Eu já tinha sido presidente. Mas parece que tudo que eles estão fazendo é para evitar que eu seja candidato. Mas essa provocação é de tal envergadura que me deu uma coceirinha e agora eu quero ser candidato”, disse Lula.

     

    Condenação e aumento da pena

    Lula foi condenado em segunda instância pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) a 12 anos e 1 mês de prisão, em regime fechado, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex do Guarujá. Apesar da Lei da Ficha Limpa prever que políticos condenados em segunda instância não podem ser candidatos, Lula não está automaticamente fora das eleições 2018. Sua defesa pode conseguir um efeito suspensivo ao recorrer contra a decisão do TRF4.