Sábado, 19 de Janeiro -

  • Lindoso faz balanço dos dois anos à frente da presidência da Câmara: “Estou entregando uma estrada pavimentada. É só pegar o carro e dirigir”

  • Por Juvenal Dias

    O vereador Elissandro Lindoso (PSDB) concedeu entrevista coletiva na última quarta-feira (12) no plenário da Câmara para fazer um balanço de como foi os dois anos que esteve como presidente da casa dos parlamentares.

    Primeiro, o próprio vereador tratou de fazer uma apresentação relatando sua experiência no cargo de chefia e o que fez neste período. Segundo Lindoso, houve um recorde de economia com gastos públicos, cerca 31 milhões de reais que serão devolvidos à Prefeitura. Nessa conta entram substituição de pagamentos de horas-extras trabalhadas por banco de horas, redução de assessores nos gabinetes, devolução de celulares corporativos e revisão de contratos. Reduziu o custo de aluguel com a mudança de sede. Antes era fragmentada em três localidades e pagava-se 63 mil reais por mês. Com a nova sede, o custo passou a ser de 27 mil. Ele ainda promoveu algumas ações como implementação de uma ouvidoria na Câmara, a convocação de concursados e a execução da lei que obriga 30% dos cargos de chefia sejam ocupados por servidores públicos. “Eu peguei uma avenida toda esburacada, sem asfalto ou calçada e estou entregando uma estrada pavimentada. O próximo presidente que for eleito é só pegar o carro e dirigir. Se souber usar, vai longe”, analisou o vereador, fazendo analogia à situação com a qual assumiu o cargo de presidente.

    Na entrevista, Lindoso começou respondendo sobre a nova política que se apresenta por novos meios de comunicação: “Não existe mais aquela política de esconder as coisas, isso que as pessoas não entendem. Com as redes sociais, com a campanha do Bolsonaro, senti muita diferença neste ano. As redes sociais foram fundamentais para quem ganhou esta eleição. Quem não soube usar dançou”. Depois desconversou sobre seu sucessor: “Em relação à presidência, acho que está incerto, não tem nada decidido. Ainda não decidi o voto, uma eleição desta não é fácil, são votos de vereadores. Vamos esperar para ver o que vai acontecer”.

    Não poupou críticas ao seu próprio partido: “O PSDB está com uma relação complicada. Aqui em Osasco está rachado, dividido. Saíram dois candidatos a deputado federal, acho que deveria ter sido apenas um, deveríamos nos unir e não aconteceu isso. O projeto não é pessoal, é partidário”. Ainda sobre o assunto, ainda completou: “Não penso em sair do partido, acho que é um dos melhores do país, apesar de ter passado por uma profunda crise. A política de ficar em cima do muro e ficar com projetos pessoais não leva a lugar nenhum. Se não houver uma união, o PSDB vai ter muitas dificuldades como aconteceu em outras cidades”.

    Um assunto polêmico que foi tratado diz respeito ao ex-Secretário da Saúde e membro do mesmo partido, José Carlos Vido. Ele foi nomeado para Chefe de Gabinete da Prefeitura. “O Vido já foi, não está mais no partido, não representa mais o PSDB. Eu pedi sua expulsão porque cansei de ver os filiados exigindo que alguém tomasse uma atitude, caso contrário iríamos perder todos os filiados do partido. Eu, na verdade, só tive a coragem de por no papel aquilo que muitos queriam fazer e não podiam”, disse Lindoso. Mais adiante o assunto retornou à discussão e quando questionado se tinha raiva de José Carlos, o vereador respondeu: “Não tenho raiva de ninguém, só não gostei da maneira como foi feita a política aqui em Osasco em 2018. Ele entrou de cabeça para apoiar o Márcio França. Esperava que o Márcio fosse ganhar. Aí pergunto, e se o PSDB tivesse perdido? Ele iria ficar bem e o partido mal? Não é justo. Respeito seu trabalho como assessor, que cometeu um equívoco de usar um partido para ter benefícios pessoais. Que ele consiga suas coisas baseado no seu trabalho, não em trocas pelo partido. Se o PSDB fizer assim, eu saio do partido”.

    Ele também justificou o processo ao qual responde na cidade de Jandira: “Apenas há um processo contra mim e que não é meu. É do prefeito de Jandira. Fiquei lá onze meses. O vereador do PT, Reginaldo Camilo dos Santos, por briga, por richa, foi lá e fez a denúncia. Não sou contra isso. Se tem dúvida, denuncia, fiscaliza, não tem problema. Não tem nada absolutamente da minha vida e tenho certeza que já reviraram-na inteira, procuraram e não tem nada. Estou muito tranquilo, peguei uma cidade devastada e fiz um ótimo trabalho. Em relação à investigação, tem que investigar mesmo. O cara que tem medo de investigação, não pode entrar na vida pública”.

    Uma questão que permeia seu futuro na política é se ele irá se candidatar a prefeito daqui há dois anos: “Está muito cedo, nem acabamos 2018. Não sei nem se estarei vivo amanhã, do jeito que anda as coisas por aí. Não vou me preocupar com 2020, sendo que tem 2019 inteiro ainda pela frente. Não tenho pressa”.

    No futuro, quando as pessoas comentarem a respeito de sua gestão na Câmara, ele respondeu como quer ser lembrado: “Gostaria que minha gestão fosse reconhecida pela austeridade, economia e eficiência. Zelo com recurso público, que foi o que mais eu me preocupei. Executar as tarefas, fazer com que as coisas acontecessem, não como um ‘gastão’. Fiz na Câmara o que eu faço na minha clínica, procuro comprar o melhor com o melhor preço. Gosto de coisas boas, mas não é porque o recurso não é meu que vou sair gastando. Gostaria de ser reconhecido como presidente austero”.

    Por fim, lhe resta dois anos com o mandato de vereador. Ele falou dos planos de atuação para este período: “Tem muita coisa que eu quero fazer. Uma área que eu sinto que deixei a desejar é com a juventude. Tenho que fazer mais política para os jovens. É óbvio que vou defender a saúde, entrei na
    política por isso. Não posso esquecer da questão da segurança, que é fundamental. Assim como a educação, como mola transformadora e ascensão social. Mas precisamos fazer política para a juventude, que está esquecida na cidade de Osasco. Se eu tiver que focar os projetos, pode ter certeza, neste biênio será na juventude. Vamos continuar cuidando dos idosos e deficientes, mas temos que se preocupar com o outro lado também”.