Quarta-Feira, 19 de Setembro -

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    Jô Antiório disputa sua primeira eleição e carregará a bandeira da Educação no Congresso, se eleito

    ENTREVISTA:

    Jô Antiório é um empresário osasquense que sempre teve um pé na política. Agora, assume o desafio de sua primeira candidatura a deputado federal. Como compromissos, pretende traçar estratégias de valorização da educação básica, com maior valorização profissional da categoria dos professores e criação de um piso nacional para os professores; elaborar lei que valorize as Guardas Municipais, de forma que tenham maior incentivo e façam o policiamento preventivo nas cidades, em larga escala; propor emendas parlamentares com intuito de construção de casas de apoio e acolhimento a familiares de pacientes com câncer, atendidos fora de suas comunidades e propor a reformulação das fórmulas de IRRF e estudar a possibilidade de abatimento integral de despesas diversas além das de saúde. Em entrevista ao jornal a rua, saiba mais sobre suas ideias.

    Sua família tem grande expressão em Osasco na área da Educação, e você é um empresário bem sucedido no ramo que escolheu. O que fez despertar a vontade de entrar para a vida pública?
    Há muito tempo, desde criança, vivo a política. Meu pai esteve na política, meus avós lutaram pela emancipação de Osasco e chegou o momento de mudar. Não dá mais para ficarmos na zona de conforto. Quem saiu às ruas desde 2013, 2014, para tirar uma presidente que estava fazendo tudo o que sabemos e aturar um outro presidente que tem feito igual ou pior, então acredito que seja a hora de mudar, de pessoas de bem entrarem. Não dá pra gente só reclamar. O projeto inicial era diferente, era pra estadual, mas o partido achou por bem que eu saísse a federal. É mais difícil, mas ao mesmo tempo está menos congestionado aqui em Osasco. E no congresso Nacional posso atuar muito mais do que na Assembleia Legis-lativa, em relação ao meu setor, criando leis que beneficiem a Educação. Vou tentar mudar o cenário de hoje com ética, com seriedade, tenho um compromisso com o próprio movimento “Unidos contra a corrupção”, liderado pelo Ministério Público Federal… praticamente menos de 10% dos candidatos de São Paulo estão nesse movimento. Chegou a hora de mudar, de tentar fazer algo com seriedade.

    Acha que ser um nome novo no cenário político o ajuda?
    Estamos vivendo um momento diferente na política. A gente vê que as pessoas não querem os tradicionais, não querem candidatos que já estão em cargos eletivos, mas ao mesmo tempo, com a mudança da legislação, o novo tem muito menos condições de se mostrar por causa do curto tempo de campanha. Não temos recursos, o fundo eleitoral não vem pra ninguém… Falamos em 3,5 bi mas na divisão, não sobra nada pra ninguém porque as campanhas majoritárias têm prioridade. Só em São Paulo são 22 candidatos a federal e mais de 40 a estadual. É muita gente pra dividir esses recursos. Então o grande desafio é fazer com que as pessoas tomem conhecimento da nossa candidatura. Vamos usar os espaços que nos é dado na imprensa, usar as redes sociais…

    Porque você escolheu o Partido Social Democrático (PSD) como sua legenda para este pleito?
    Por causa do seu perfil liberal, trabalha com parcerias com a inciativa privada e eu acredito que esse seja o caminho do sucesso a exemplo de diversos países hoje. Estatização não vai dar certo nunca tanto que vemos o que estão passando os países que optaram por este modelo, como a Venezuela, Cuba… A China começou a crescer quando abriu sua economia. China é o país comunista mais capitalista do mundo… então eu acredito num partido que tem nas suas origens um modelo mais liberal, menos estatização, trabalhar parcerias na questão do emprego… O PSD assume esse posicio-namento. Recebi o convite pessoalmente do Andrea Matarazzo, que aceitei com muito gosto e muita honra. No lançamento da minha candidatura ele colocou meu nome como o candidato da sua família.

    Durante a convenção do seu partido, em julho, ficou declarado o apoio a João Dória Junior ao governo do Estado. O que acha da escolha do seu partido?
    Ele é o candidato da minha coligação. Era o melhor nome dentro do partido, mas o meu partido tinha nomes tão bons quanto, como o Andrea Mata-razzo, o Guilherme Afif, que são pessoas que mostraram capacidade para ocupar esses cargos mas, dentro dos nomes que estão aí, ele [Dória] é o que tem mais condições de governar São Paulo, principalmente mantendo boa relação com a prefeitura que também é do partido dele. O Dória adotou medidas importantes na prefeitura de São Paulo, como o Corujão da Saúde e o investimento em zeladoria, por exemplo. Pesa contra ele o fato de ele ter deixado o mandato de prefeito para se candidatar a governador, mas temos que ver o que ele fez como prefeito. Ele deixou um vice com qualidade de gestão em seu lugar e saiu para um desafio maior. Entendo isso e acato a decisão do PSD e trabalho para que ele tenha sucesso.

    E em relação ao apoio ao candidato Alckmin, também comunga da escolha do seu partido?
    Dentre os candidatos que estão aí, não vejo outro nome. Temos candidatos bons, o Henrique Meireles já mostrou que tem boa articulação na parte econômica, por exemplo… Amoedo é um nome novo, temos ouvido muito o nome dele porque ele tem se mostrado com boa capacidade de colocação… Mas dentre os que estão nas primeiras colocações acho que o Alckmin é o candidato que já mostrou a maior capacidade administrativa no Estado que ele governou. Ele já foi governador por 4 vezes e isso não é pouco. Administrativamente foi o que fez melhor. Não vejo o que os outros fizeram como Poder Executivo… Veja, a Marina nunca foi Executivo, Bolsonaro nunca foi Executivo, Ciro foi lá atrás, depois disso troca de partido como se troca de roupa, e de candidato que está preso eu nem vou falar porque isso é um desrespeito com o eleitor.

    Políticos experientes dizem que Osasco sozinha poderia fazer 4 ou mais candidatos. Porque você acha que isso não acontece e como mudar a cabeça do eleitor osasquense para eleger candidatos da cidade ou da região?
    Se pegarmos a eleição passada para deputado, aqui em Osasco, tivemos o 3º e 4º colocados, são pessoas que nem sabem onde Osasco fica, mas são candidatos midiáticos. Por isso defendo o voto distrital, com urgência, para que não tenha mais essa disparidade. As regiões precisam ser representadas. Quando a população se acostumar com o voto distrital, a região só tende a ganhar. Acho que o que colabora muito para que candidatos de outras regiões se elejam com votos de Osasco é a própria mídia. Local, não temos nenhuma aberta. Ouvimos notícias de São Paulo, e a visibilidade que a mídia dá para os políticos de fora é muito maior. Essa exposição acaba beneficiando candidatos de fora. Vereadores também são eleitos só em seus redutos, e numa amplitude maior, se for candidato a deputado, vai ter a mesma votação de quando se elegeu vereador. E por fim, o grande problema é a falta de união das pessoas. Estamos vendo partidos aí com 6… 7 candidatos… com isso, corre-se o risco de não eleger nenhum, porque pulveriza muito.

    Por ter o nome da sua família tradicionalmente ligado à Educação, este tema será sua bandeira na Assembleia Legislativa, se eleito?
    Educação é minha prioridade e pretendo trabalhar muito a questão das parcerias não só para criar novas vagas na escola mas também para proporcionar mais investimentos em pesquisas, em cultura… O museu do Futebol é um exemplo de parceria público-provada bem sucedida. A educação está em primeiro lugar, precisamos trabalhar pela valorização dos professores… Veja bem, menos de 3% dos projetos e emendas dos deputados e senadores de São Paulo são voltados para a Educação. Fala se muito que a solução está na Educação, mas os representantes a deixam de lado. Estamos atrás de países vizinhos como a Colômbia que tem um sistema educacional mil anos luz à frente do Brasil.

    Para que o eleitor saiba o que esperar do Jô Antiório deputado, fale um pouco sobre o que pensa da atual administração de Osasco. Como avalia a atuação do prefeito Rogério Lins?
    Acho que nossa cidade precisa melhorar muita coisa, mas não é uma questão do atual governo. Isso já vem de muito tempo. Ontem mesmo estava com uma pessoa que disse que o centro está muito feio, e eu como osasquense, defendo, mas as vezes a gente tem que dar o braço a torcer porque realmente está feia. As ruas estão esburacadas, a cidade não está limpa, a Praça Marquês do Herval virou um albergue a céu aberto… é complicado, mas não é de agora. A questão da zeladoria é muito importante, uma cidade bonita, bem cuidada atrai investimentos. Somos sede de um dos maiores bancos do mundo, quanta gente não vem pra ca? Poderíamos ter um turismo de negócios fenomenal, mas pra isso a cidade precisa estar melhor cuidada.