Sábado, 19 de Janeiro -

  • Índice glicêmico afeta diabéticos e quem quer emagrecer; entenda melhor

  • O consumo excessivo de carboidratos vem sendo apontado como um dos fatores responsáveis pela alta incidência de obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares no mundo. A ingestão do alimento requer cautela, já que sua digestão e absorção estão relacionadas com a concentração de glicose no sangue, que interfere em vários aspectos do organismo, desde a sensação de saciedade até o acúmulo de gordura no corpo.
    O que mais importa nessa equação é a velocidade com que a glicose é absorvida pelo corpo. Tanto é que existe um índice para mensurar essa resposta, chamado índice glicêmico.
    O que é índice glicêmico O índice glicêmico (IG) é um valor dado aos alimentos com base na velocidade com que os níveis de glicose (açúcar) aumentam no sangue após sua ingestão. Ou seja, é uma medição que indica maior ou menor potencial de um alimento de elevar a glicemia. Como é o caso do suco de laranja: além de estar na forma líquida, o que facilita a velocidade com que é absorvido pelo corpo, possui alta concentração de açúcar natural (frutose) e carboidrato –que se transforma em açúcar no organismo. Sua ingestão faz com que os níveis de glicose aumentem rapidamente e por isso é considerado um alimento de alto índice glicêmico.
    Ao contrário do que acontece com o feijão. Por ser um alimento mais consistente, precisa ser mastigado, digerido e metabolizado pelo corpo, em um processo que dura muito mais tempo. Também é rico em fibras, que retardam a absorção de glicose. Ou seja, a velocidade que se transforma em açúcar e é absorvido pelo nosso corpo é muito menor, portanto possui um baixo índice glicêmico.
    Para que serve o índice glicêmico e quem deve se preocupar com ele
    O IG é utilizado principalmente na elaboração de um plano alimentar para auxiliar no controle glicêmico. Na prática, é usado frequentemente por pessoas com diabetes, doença caracterizada pelo aumento de concentração de glicose no sangue, como resultado da deficiência na produção de insulina.
    Outra indicação é o auxílio no controle ou perda de peso. Os alimentos de baixo IG demoram mais para serem digeridos e para haver a quebra das moléculas de glicose, que vai permanecer mais tempo na corrente sanguínea, aumentando a sensação de saciedade.
    Já os alimentos com alto índice glicêmico liberam a glicose rapidamente, e quando há uma descarga de açúcar muito grande no nosso sangue, o corpo armazena essa energia na forma de glicogênio e gordura. Esse acúmulo está relacionado com a insulina que interfere não só na formação e armazenamento de gorduras, mas também regula o metabolismo dos carboidratos e influencia a síntese de proteína. Por isso, o índice glicêmico também é assunto que desperta a atenção dos atletas e esportistas em geral. Antes do treino é indicado o consumo de alimentos de baixo a moderado índice glicêmico, para elevar a glicemia lentamente, dando energia para o momento da atividade física.
    Ao encerrar os exercícios físicos, a prioridade deve ser para alimentos com médio a alto índice glicêmico, para repor os estoques de carboidratos e acelerar a recuperação muscular.
    Como o índice glicêmico é calculado? O conceito de IG foi inicialmente proposto em 1981 por cientistas da Universidade de Toronto (Canadá). A metodologia surgiu a partir de estudos para descobrir quais alimentos eram melhores para as pessoas com diabetes. Criou-se um método em formato de tabela comparativa a partir de um alimento padrão, baseada no tempo que o corpo leva para absorver os carboidratos. A medida passou a ser usada para o cálculo e definição de muitas dietas, por simplificar a quantificação e planejamento alimentar. Mas vários especialistas não recomendam o uso desse recurso para controlar o IG, por haver vários fatores de influência que interferem nesse equilíbrio.
    O cálculo é feito em laboratório: realiza-se a comparação das variações da glicemia após a ingestão de 50 g de carboidrato de um alimento e de 50g de carboidrato do alimento padrão (pão branco ou glicose pura). Normalmente a variação glicêmica é medida até duas horas após a ingestão. Isso vai servir para medir as taxas de velocidade da digestão e absorção dos carboidratos, um macronutriente que possui moléculas de glicose na sua composição. Quanto mais lentamente são absorvidos, menores os picos de açúcar no sangue, e menores os índices glicêmicos.
    Nada mais é do que um indicador do aumento da concentração da glicose no sangue, em resposta à ingestão de alimentos. Apresenta pequenas variações conforme a referência utilizada:
    Usando o pão branco como padrão:  Baixo IG: < 75 Médio IG: 75 – 95 Alto IG: > 95.
    Usando a glicose como padrão: Baixo IG: < 55 Médio IG: 56 – 69 Alto IG: > 70.
    Quanto mais rápida for a conversão do carboidrato em glicose, maior será o seu índice glicêmico. Para digerir os alimentos que constam na lista com alto IG, o corpo vai precisar de uma demanda maior de insulina, hormônio produzido pelo pâncreas e que tem como função permitir a entrada da glicose nas células para ser transformada em energia ou armazenada.
    Já os alimentos com baixo IG fazem com que a glicemia se mantenha controlada por mais tempo, retardando o aparecimento da fome depois de uma refeição. Isso porque quanto menor a quantidade de açúcar absorvido para a corrente sanguínea, menor o índice glicêmico do alimento, e menor a liberação de insulina.