Jornal A Rua

Quinta-Feira, 16 de Agosto -

  •  

    Capoeira tem vez e voz em Barueri

    A mais genuína manifestação da cultura brasileira encontrou espaço em Barueri há cerca de 20 anos. A Secretaria de Esportes, por meio do programa Barueri Esporte Forte, põe à disposição dos munícipes seis polos para aprendizagem e prática: Parque Imperial, Jardim Mutinga, Engenho Novo, Parque Dom José, Ginásio José Corrêa e também na SDPD (Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência).

    “O objetivo da capoeira é tirar os menores da rua e ensinar-lhes a disciplina”, garante o instrutor Edivaldo Henrique Santos, o “Fumaça”, que começou dando aulas voluntárias nas ruas do Parque Imperial por 12 anos.  Hoje ele conta inúmeros casos de jovens que mudaram de vida a partir da frequência nos treinos da modalidade.

    Os 110 alunos de ambos os sexos vão aos polos de uma a duas vezes por semana. Além de condicionamento físico, eles recebem orientação comportamental para que não venham a fazer mau uso do aprendizado. “Muitos vêm para ‘aprender a brigar’, mas saem transformados”, complementa.

     

    Matrículas

    A capoeira, assim como dezenas de outras modalidades, é ensinada gratuitamente no Barueri Esporte Forte. Para matricular seu filho ou filha com idade a partir de seis anos, basta comparecer ao Ginásio Poliesportivo José Corrêa (rua Guilherme P. Guglielmo, 1000, Centro), de segunda a sexta-feira, das 8 às 17h, munidos de cópias do RG e do comprovante de endereço, uma foto 3×4 e atestado médico.

     

    Um pouco de história

    A capoeira nasceu nas senzalas do Brasil colonial. É uma manifestação cultural que envolve dança, música, esporte e arte marcial e sempre foi abominada por esse último componente. No início, os escravos praticantes eram mutilados e até mortos para que não a usassem contra os feitores e capitães-do-mato.

    Esteve proibida até 1930, quando foi reconhecida como símbolo da identidade brasileira. Mesmo assim, durante muito tempo seus praticantes, predominantemente negros, eram rotulados como malfeitores e desocupados e sofriam forte repressão policial. Em 2014, a roda de capoeira foi declarada pela Unesco patrimônio cultural imaterial da humanidade.

    A capoeira é muito praticada na Bahia e em outros estados do Nordeste e do Sudeste brasileiro, mas ganhou o mundo: há associações de capoeiristas em países inimagináveis como Azerbaijão, Armênia, Cingapura e Eslováquia. Na Espanha e nos Estados Unidos, há mestres e contramestres em várias cidades.