Quarta-Feira, 13 de Dezembro -

  • Câncer de ovário é silencioso e tem o diagnóstico mais difícil

  • O câncer de ovário é o tumor ginecológico mais difícil de ser diagnosticado e, por esse motivo, é o que menos tem chance de cura, informa o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Segundo o órgão, cerca de 3/4 desses tumores já estão em estágio avançado no momento do diagnóstico.

    No caso da atriz Márcia Cabrita, que morreu aos 53 anos na sexta-feira (10/11), o tratamento de quimioterapia foi iniciado em 2010 e ela chegou a remover o ovário.

    O maior entrave para o diagnóstico desse tipo de tumor está na dificuldade de exames eficazes para o rastreamento, situação diferente nos tumores de mama, por exemplo, que contam com a mamografia.

    De acordo com dados do INCA, o Brasil registrou 6.150 novos casos em 2016, o que representa, em média, 3% dos tumores femininos. A causa desse câncer não está muito definida, mas apenas 10% deles têm origem hereditária.

    Mutações nos genes BRCA-1 e BRCA-2, associados ao câncer de mama, também levam ao câncer de ovário. Por isso, além das mamas, a atriz Angelina Jolie, também retirou o órgão como medida preventiva.

     

    Tumores começam no ovário

    Como o nome sugere, o câncer de ovário começa no ovário, glândulas reprodutivas responsáveis pela produção do óvulo. Eles são também as principais fontes dos hormônios estrógeno e progesterona. Cada ovário ocupa um lado da pelve feminina.

    Formados por três tipos diferentes de célula, cada tipo de célula do ovário pode se transformar num tumor diferente na ocorrência de um câncer, segundo a Sociedade Americana do Câncer:

     

    – Os tumores epiteliais começam a partir das células que cobrem a superfície externa do ovário. A maioria dos tumores ovarianos são tumores de células epiteliais;

     

    – Os tumores de células germinativas começam a partir das células que produzem os óvulos;

     

    – Os tumores estromais começam a partir de células que produzem hormônios femininos, estrogênio e progesterona.

     

    Sinais são inespecíficos, mas ajudam a identificar

    Nos tumores de ovário, informa o INCA, o diagnóstico é feito por uma suspeita do médico, que pode pedir um ultrassom transvaginal ou exames de sangue que detectam marcadores do tumor — como o CA-125. Esses exames não são ideais para o estágio inicial da doença.

    Depois, o diagnóstico ainda deverá ser confirmado por uma biópsia.

    Segundo o A.C. Camargo Cancer Center, referência no tratamento do câncer, trata-se de um tumor silencioso, mas, a depender da evolução, alguns sinais podem ser identificados:

     

    – Náusea

    – Azia

    – Dor abdominal

    – Aumento do volume abdominal

    – Sangramento e aumento da frequência urinária

     

    Os sinais acima são inespecíficos, já que também podem ser causados por outras condições. O mais importante, segundo a Sociedade Americana do Câncer, é identificar anormalidades no modo em como a mulher se sente normalmente.

    As chances do tumor aumentam com a idade e após a menopausa. O principal tratamento é cirúrgico, com a remoção do ovário. Também pode seguir-se uma quimioterapia para eliminar células tumorais residuais — protocolo que foi seguido pela atriz Márcia Cabrita.