Segunda-Feira, 17 de Dezembro -

  • Geraldo Alckmin e João Doria discutem em reunião da executiva do partido

  • O PSDB resolveu liberar seus integrantes para que cada um decida seu posicionamento para o segundo turno da eleição presidencial. O encontro da executiva nacional foi tenso e marcado por uma discussão entre Geraldo Alckmin, quarto colocado na disputa a presidente, e João Doria, candidato ao governo de São Paulo, por conta de recursos para as campanhas. “O PSDB decidiu liberar seus militantes e líderes. Não apoiaremos nem o PT, nem [Jair] Bolsonaro [PSL]. Quem quiser, pode apoiar o Bolsonaro, quem quiser não apoia ninguém, se alguém quiser apoiar o PT, liberamos. Está liberado para cada um tomar sua decisão”, disse Alckmin, que afirmou, ainda, que não dará seu apoio pessoalmente a nenhum dos candidatos. “Minha posição pessoal é nem um, nem outro e ser oposição aos dois”.

    Durante o encontro, houve um entrevero entre Doria e Alckmin. Doria criticou não haver previsão de mais dinheiro para a campanha de tucanos que chegaram ao segundo turno na disputa a governador. Segundo relatos, Alckmin esbravejou: “Traidor, eu não sou”, deixando no ar se, na verdade, o traidor seria Doria.

    “Minha fala não foi bem recebida pelo presidente. Mas não havia previsão de recursos, preparo, planejamento. Como pode um partido como o PSDB não imaginar o segundo turno?”, inquiriu Doria. “Se Geraldo teve um momento de dissabor pessoal, da minha parte tem meu perdão”, afirmou o candidato tucano ao governo paulista ao sair da reunião, que deixou antes do término. Já Alckmin foi ácido na resposta. “Não vou fazer política pela imprensa. Se outros fazem, não farei”, disse.

    Segundo o tesoureiro do PSDB, Silvio Torres, os recursos foram distribuídos antecipadamente e todos tinham ciência de que aquele valor deveria ser administrado e uma parte separada para um eventual segundo turno. Doria, inclusive, recebeu um adicional de Alckmin, disse.

    “Cada um poderia ter guardado seu recurso para o segundo turno. Dos R$ 43 milhões da campanha presidencial, Alckmin gastou R$ 25 milhões e distribuiu R$ 18 milhões para outros candidatos. Inclusive para o Doria, que recebeu, no total, quase R$ 8 milhões, o que mais recebeu na campanha”, apontou Torres. O caixa restante do partido agora, afirmou, é de apenas R$ 5 milhões. Alckmin disse que apoiará na medida do possível os candidatos a governador no segundo turno, mas novamente foi vago. “O protagonismo tem que ser dos candidatos.